Famílias inter-raciais: preconceitos devem ser desmistificados

Para Hugo Damasceno, advogado, voluntário do Aconchego e pai por adoção, o assunto deve ser debatido de forma natural e aberta

Por Gabriella Collodetti

O advogado Hugo Damasceno e a jornalista Karina Berardo, voluntários do Aconchego e frequentadores dos encontros da Organização da Sociedade Civil (OSC), passaram por dois processos de adoção, o que levou João e Camila à família. Ao unir esse tema com o debate da adoção entre diferentes raças, como é o caso do casal, torna-se necessário ampliar a visão sobre o preconceito, visto que o simples ato de adotar uma criança e/ou adolescente pode ser o suficiente para gerar incômodo social.

Isso é explicado pelo fato de que a adoção ainda pode ser um tabu para muitas pessoas. Para Hugo, apesar do assunto ter avançado de forma positiva no Brasil, ainda há pontos específicos que precisam ser melhorados para evitar o desenvolvimento de preconceitos.

“Falar sobre adoção inter-racial é dar visibilidade às adoções de uma forma geral. Na minha visão, ela é muito próxima à adoção ‘intra-racial’. A única diferença é que, na inter-racial, as coisas se tornam mais evidentes. Eu saio na rua com os meus filhos, por exemplo, e as pessoas veem que somos uma família por adoção”, explica.

Entretanto, nem sempre a receptividade da sociedade é boa. O advogado se lembra do episódio em que foi confrontado, no transporte público de Brasília, por estar com a sua filha. Apesar de saber que algumas pessoas tendem a olhar de uma forma negativa, o dia em que teve que explicar a adoção de Camila foi doloroso.

“Na época, uma moça questionou o que eu estava fazendo com a Camila. Ela duvidou que eu fosse o pai, sabe? Tive que apresentar os meus documentos para provar a filiação. No fim, ela me pediu desculpas, entretanto, é algo que marca a gente”, diz.

O assunto da interracialidade sempre esteve presente na casa de Hugo e Karina. Com o passar dos anos, o assunto se fez mais presente, levando em consideração o crescimento das crianças e a necessidade dos pais em conversar sobre os preconceitos sociais que podem surgir em algumas situações.

Para o casal, é importante levar esses temas de forma natural. Para o casal, é importante levar esses temas de forma natural e, sem dúvidas, é um processo de construção para a família.

“Antes dos nossos filhos chegarem, não tínhamos a visão sobre preconceito e racismo que temos hoje. Nunca vamos sentir a discriminação, de fato, mas buscamos nos colocar no lugar deles para criar uma consciência sobre o assunto. Buscamos ler livros e ver filmes que tragam esse contexto e, quando temos oportunidade, conversamos sobre essas situações”, explica Hugo.

Para o advogado, o racismo está presente em todos os momentos, pois é um problema que faz parte da sociedade. Por essa razão, o casal busca fala abertamente sobre o assunto, buscando sempre motivar mudança dessa realidade.

Ao longo desses anos, desde antes da chegada de João e Camila, a presença de Hugo e Karina nos encontros promovidos pelo Aconchego foi determinante para a família. Por meio das reuniões promovidas pela Organização da Sociedade Civil (OSC), eles puderam trabalhar com aspectos importantes para auxiliá-los no período pós-adoção.

“O grupo nos permitiu refletir sobre várias questões da adoção antes delas acontecerem. Uma das reflexões que fizemos, que o Aconchego nos propiciou, foi discutir isso: ‘quais os desafios de uma adoção inter-racial?’. Desde que os meninos chegaram, percebemos alguns olhares, de algumas de pessoas vendo que fisicamente somos diferentes. Mas como nós não vemos isso como um problema, a diferença física mostra que nós somos uma família por adoção e eu tenho muito orgulho disso”, comenta o advogado.

Encontros do Aconchego

As psicólogas Beatriz Brandão e Ana Carla Domingues participarão do programa “Encontros Sobre Adoção”, promovido pelo Aconchego, neste sábado (10). As profissionais falarão sobre os mitos e preconceitos envolvendo os processos adotivos, a partir das 17h, na plataforma virtual Zoom (https://us02web.zoom.us/j/82669353416).

Na ocasião, será construído um espaço de diálogo e ressignificação sobre a filiação por adoção. O intuito do encontro é compreender de que forma esse processo sofreu alterações ao longo da história e alguns pontos que ainda estão ancorados em determinismo biológicos, gerando preconceitos.

No mesmo dia, também às 17h, o Aconchego realizará o “Encontro com Habilitados” (https://us02web.zoom.us/j/88185096986) para trabalhar o tema “tempo de espera é tempo de preparação: vamos conversar sobre os conceitos e preconceitos na filiação adotiva?”.

A ocasião promoverá uma discussão com base em opiniões e vivências pessoais sobre os mitos, preconceitos e estereótipos no processo de adoção. As psicólogas Marilza Barbosa e Soraya Pereira, presidente da Organização, conduzirão a conversa.

SERVIÇO

Encontros Sobre Adoção (Projeto Entrelaços)
Onde: https://us02web.zoom.us/j/82669353416
Quando: Sábado, 10 de abril, às 17h

Encontro com Habilitados (Projeto Entrelaços)
Onde: https://us02web.zoom.us/j/88185096986
ID da reunião: 881 8509 6986
Senha de Acesso: 011370
Quando: Sábado, 10 de abril, às 17h

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO – GRUPO ACONCHEGO
Proativa Comunicação
Contatos: Flávio Resende (61 99216-9188) / Gabriella Collodetti (61 99308-5704)
E-mail:proativa@proativacomunicacao.com.br
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