O desafio de apadrinhar um adolescente criado em instituição de acolhimento

Sem família, sem residência fixa e sem referência, com mínimas chances de adoção, crianças maiores de 7 anos passam suas vidas com medo do futuro. De completar 18 anos, deixar as instituições onde moram e passar a viver sozinho

Aconchego
Adolescentes abandonados tem dificuldade de encontrar apoio. Poder judiciário de Rondônia

Para muitos adolescentes criados em instituições de acolhimento, completar 18 anos é entrar numa realidade ainda mais dura e difícil. Sem família, sem residência fixa e sem referência, com mínimas chances de adoção, crianças maiores de 7 anos passam suas vidas com medo do futuro. Isso porque, ao completar 18 anos, os adolescentes precisam deixar as instituições e passam a viver sozinhos.

Na tentativa de atenuar as dificuldades, o Grupo de Apoio à Convivência Familiar e Comunitária - Aconchego - criou há 18 anos o projeto Apadrinhamento Afetivo. A ideia é proporcionar a oportunidade de criar um laço afetivo desses meninos e meninas, para que no futuro esses padrinhos e madrinhas possam servir de referência e base para esses jovens durante essa transição.

Madrinha

Madrinha do Gabriel, de 15 anos, há cerca de um ano, Elizete Cristina de Souza, professora - sem filhos, solteira e realizada profissionalmente -, aderiu ao projeto para preencher um vazio que sentia.

De acordo com ela, a decisão de não ter filhos foi pessoal e antes de encontrar o Gabriel, já havia tentado alguns projetos sociais, com os quais não se identificou.

“Eu queria doar algo mais. Algo que eu construí pessoalmente"
Elizete Cristina de Souza, professora

“Eu queria doar algo mais. Algo que eu construí pessoalmente, algo que eu construí como pessoa e eu queria passar isso para alguém”, disse Elizete.

Medo

No início ela disse ter sentido medo por colocar um adolescente desconhecido dentro da sua casa. O medo foi alimentado por muitas pessoas que a questionavam argumentando o perigo. No entanto, ela foi firme, resistiu, enfrentou o temor e, hoje, é madrinha do Gabriel, que frequenta sua casa de 15 em 15 dias e está inserido dentro da sua família como seu afilhado.

“No início eu queria uma menina, por conta das minhas sobrinhas, mas o destino me deu um garoto”, revelou. De acordo com ela, o primeiro contato foi frio e distante, mas no segundo a empatia aconteceu e ela sentiu que ele era o afilhado que ela queria.

Dificuldade

“O primeiro contato foi super sem graça, eu e ele tentando puxar conversa. Eu nervosa e ele nervoso. No segundo, o assunto já foi fluindo naturalmente. Nada forçado. Tipo quando a gente percebe que o universo está conspirando a favor”, confessou.

Ao falar dos momentos juntos e do pouco, mas intenso tempo de convivência, ela afirma estar no caminho de descobertas, se dando e recebendo.

O medo, agora, é com a saída dele, aos 18 anos. “O fato da incerteza quando ele completasse os 18 anos pesou. Eu pensei: ‘caramba, ele vai ter que sair do abrigo'. Hoje me dá uma dor no coração quando eu penso”, revelou.

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Desistência

Porém, a psicóloga Eliana Carla Barcelos alerta que alguns voluntários abandonam o grupo quando descobrem que o trabalho vai além de presentes e visitas. "É preciso assumir responsabilidades", destacou ela.

"Entender o que é o apadrinhamento, que não é um trabalho assistencialista"
Eliana Carla Barcelos, psicóloga

“Ao entender o que é o apadrinhamento, que não é um trabalho assistencialista, que não é simplesmente ir e dar presente para essa criança, o padrinho começa a entender que o papel dele na vida da criança é um papel de referência e ele vai ter um compromisso muito maior do que simplesmente ir esporadicamente na instituição de acolhimento.”

A psicóloga afirmou que em cada grupo de cerca de 300 pessoas que participam da primeira palestra sobre o programa, no máximo, 20 permanecem.

Preparação

Segundo ela, depois da palestra, os interessados em permanecer precisam fazer uma capacitação de 40 horas com orientações e explicações sobre o que é ser um padrinho afetivo e as condições dessas crianças. Apenas depois de todo o processo, é que o futuro padrinho estará apto para a fase da busca pelo afilhado.

Eliana afirmou que é preciso estar preparado para lidar com a vida e histórias de dor carregadas por essas crianças. "Lidar com as questões do abandono e com as questões da criança envolve regras e vínculos afetivos", ressaltou ela.

Desafio

Para a psicóloga, o maior desafio é "fazer o encontro". O que na prática significa criar um ambiente em que a criança ou adolescente se sinta bem e protegido pelo padrinho. "Muitas vezes eles [as crianças e os adolescentes] estão em uma fase de desacreditar no afeto do outro e rejeitam aproximação com medo de serem novamente abandonadas", afirmou ela. “É um trabalho muito cuidadoso para que esse afilhado se sinta seguro na companhia desse padrinho ou dessa madrinha”.

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Realidade

No Cadastro Nacional de Adoção, há 7.582 crianças e adolescentes de 0 a 17 anos, que aguardam por uma família. A maior parte tem mais de 7 anos:  5.862. Exatamente os que tem menor chance de conseguir uma família.

Isso, apesar do número de famílias que aguardam por uma criança, algo em torno de 30 mil. É que a maioria das pessoas interessadas na adoção preferem recém-nascidos ou crianças ainda bebês. Por isso, muitas crianças permanecem até o fim da adolescência nesses locais, por não estarem dentro da ideal desejado.

Fonte: Fato Online

Entrevista da Soraya Pereira, presidente do Aconchego, para a Rádio Senado

Aconchego

ONG trabalha nova cultura sobre adoção

O Aconchego atua na construção do vínculo afetivo entre adotandos e adotantes no processo de adoção. Grupo brasiliense também possui programas que estimulam a interação de crianças e adolescentes acolhidos com a sociedade.

Por Clarice Gulyas
Grupo de apoio à convivência familiar e comunitária voltado para crianças e adolescentes em acolhimento institucional, o Aconchego é uma ONG brasiliense que atua na conscientezação e preparo psicossocial durante o processo de adoção no Distrito Federal (DF). Com uma equipe multi disciplinar composta por 30 profissionais voluntários nas áreas de psicologia, pedagogia, serviço social, sociologia, administração, direito, entre outros, a ONG oferece serviços diversos por meio de programas específicos, como o Adoção Tardia (apoio na adaptação e superação de dificuldades em casos de adoção de crianças maiores de três anos de idade), Apadrinhamento Afetivo (criação de vínculos afetivos de pessoas da comunidade com crianças acima dos 10 anos, com remotas possibilidades de adoção) e o Irmão Mais Velho (troca de experiências entre crianças e adolescentes institucionalizados com estudantes de escolas parceiras).

Criada em 1997, o Aconchego tem se destacado cada vez mais no cenário nacional como uma das ONGs mais atuantes sobre o tema. Entre os principais reconhecimentos diante dos dez programas elaborados pela ONG está a realização do 17º Encontro Nacional de Associações e Grupos de Apoio à Adoção (Enapa), em 2012; e duas seleções pela Unesco (por meio do projeto Criança Esperança, em 2009 e 2013), para o desenvolvimento de projetos. O Brasil possui atualmente 5,4 mil crianças e adolescentes cadastrados para a adoção e 4 mil pretendentes a adotantes, segundo o Cadastro Nacional da Adoção, do Conselho Nacional da Justiça (CNJ).

De acordo com Fabiana Gadêlha, advogada e vice-presidente da ONG, o trabalho realizado é refletido na representação do direito constitucional à convivência familiar e comunitária. Segundo ela, o tema adoção é preocupante, já que o Poder Judiciário não tem conseguido atender a demanda da legalidade imposta pela Lei 12010/2009, tanto para as crianças e os adolescentes acolhidos, como para os critérios dos adotantes.

“Essa demanda aumenta o tempo de permanências nas instituições e o tempo de espera pela chegada do sonhado filho ou filha, causando grande frustração na sociedade. Algumas famílias, temendo essa espera, acabam por adotar de forma ilegal, colocando em risco a segurança do insti tuto e a vida de meninos e meninas.”, comenta.

“A adoção é um ato legal que exige burocracia necessária para garantir segurança à nova família, mas o poder público precisa agilizar seu desempenho, estruturando melhor as comarcas de todo o país para definir a situação jurídica das crianças em acolhimento (atualmente com 45 mil). Complementarmente, a sociedade precisa reconhecer que criança não é bicho de estimação, que não virá na vontade de seu desejo. O nascimento de um filho exige preparo, tempo e responsabilidade e é preciso saber esperar e fazer a escolha pela legalidade, pois não basta amor”, defende.

De acordo com Fabiana, que também é mãe por adoção, o apoio da sociedade é fundamental para a mudança de cultura e funcionamento de ONGs voltadas para o tema. A arrecadação de recursos é apontada como a principal dificuldade enfrentada pelo Aconchego, que tem conquistado sua autonomia por meio de contribuições, trabalhos voluntários e promoção de bazares, jantares e campanhas que são realizadas durante todo o ano.

“Nossa grande difi culdade é arrecadar recursos porque a sociedade brasiliense não tem o hábito de investir na formação social, mas na filantropia e na caridade. O Aconchego não é uma entidade que acolhe crianças ou viabiliza adoções. Trabalhamos na formação para que toda atividade desenvolvida em benefício das crianças e adolescentes acolhidos possam transformar a vida deles, viabilizando o convívio familiar e social, principalmente após os 18 anos quando realmente precisam de apoio e suporte.”, diz Fabiana.

Para quem se interessar em apoiar o projeto, seja por meio de recursos materiais, financeiros ou humanos, basta entrar em contato a entidade pelo e-mail contatos@aconchegodf.org.br ou se cadastrar no site www.aconchegodf.org.br.

Aconchego

Bom Dia DF
Matéria sobre adoção tardia

A matéria com quase 9 minutos de duração ficou bem explicativa e completa, inclusive com dados estáticos do perfil das crianças que estão hoje nas instituições de acolhimento. O objetivo é mostrar aos pais que é possível adotar uma criança mais velha. Atualmente no DF existem mais pessoas na fila para adotar do que crianças em busca de uma família – chamada para o vídeo da matéria. Não deixe de conferir!!

Aconchego

Cresce o número de crianças negras adotadas no país

Cresce o número de crianças negras adotadas no país. Apesar da preferência dos futuros pais por bebês brancos, o Distrito Federal registra um aumento de famílias interessadas em receber as crianças que antes eram rejeitadas.

Aconchego

Especialistas sugerem mudanças na Lei de Adoção para coibir abusos

A revisão da Lei Nacional de Adoção (Lei 12.010/09) foi defendida Comissão de Direitos Humanos (CDH) para analisar a adoção suspeita de cinco irmãos na Bahia.

Magno Malta (PR-ES) e o promotor de Justiça de Minas Gerais Carlos José e Silva Fortes afirmaram que a norma precisa favorecer a criança, e não a família interessada em adotá-la.

— É preciso fechar a porta para juiz, promotor e assistente social que formam cartel para auferir lucro em cima de quem não pode se defender — disse o senador, referindo-se à denúncia de participação do juiz Vitor Manoel Bizerra nas adoções suspeitas na Bahia.

Fortes pediu ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) que investigue um casal do Rio de Janeiro acusado de desrespeitar o cadastro estabelecido pela Lei Nacional de Adoção.

— Esse casal acompanhou a gravidez e, quando a criança nasceu, levou-a irregularmente para o Rio de Janeiro e conseguiu guarda provisória. Enquanto isso, 27 casais legalmente cadastrados e interessados em adotar foram burlados. E o pior: a criança foi entregue a um casal que não passou pelo crivo legal da adoção — disse Fortes.

Janete Aparecida Silva Oliveira, representante do Grupo de Apoio à Adoção De Volta pra Casa, defendeu mudança na lei para permitir a um casal bancar a gravidez de mãe interessada em entregar o filho para adoção e, assim, ter prioridade nesse processo. Ela também cobrou o cumprimento da norma que estabelece dois anos como limite de permanência de criança e adolescente em abrigo.

O desrespeito a esse prazo, assinalou, pode minar as chances de adoção.

Adoção de Irmãos

Outro ponto da Lei da Nacional de Adoção que precisa de ajustes, na opinião da presidente do Grupo de Apoio à Adoção De Volta pra Casa, Sandra Amaral, é o que determina a adoção de irmãos pela mesma família.

— Às vezes, uma criança que tem 1 ano perde uma oportunidade porque tem um grupo de irmãos, com 12 ou 8 ou 3 anos, que precisa ser adotado por uma mesma família. Nós podemos ter irmãos que moram em lugares, cidades e até países diferentes e temos o mesmo amor um pelo outro — argumentou Sandra.

Ao mesmo tempo em que reforçou a necessidade de mudanças na lei, a representante do Grupo de Apoio à Adoção Aconchego, de Brasília, Fabiana Gadelha, observou que ilegalidades em processos de adoção se espalham pelo país e, portanto, não adiantaria demonizar o juiz, os pais adotivos e a intermediadora da adoção irregular de cinco crianças na Bahia.

— Não adianta demonizar a situação na Bahia, que não é única, faz parte da cultura do “eu quero um filho agora e não vou esperar”. Isso não é o fim do mundo, é a coisa mais comum que tem. O que se sabe é que esse é um ato ilícito e que é preciso mostrar para a sociedade que a adoção não é um instrumento para tirar filho de pobre, mas para buscar família para uma criança que não a tem — disse Fabiana, aconselhando casais interessados em adotar que busquem a criança na sua comarca em vez de ir ao interior do país, onde as chances de cometerem irregularidades são maiores.

Adoção: muito além de um perfil

A decisão de adotar uma criança transforma a vida dos envolvidos no processo. Os pais precisam se adaptar à chegada do filho que escolheram, e o adotado, ao novo universo. Ao longo dos anos, o cenário da adoção no DF vem passando por importantes mudanças. Embora não haja um estudo específico para o DF, é nítido o aumento da procura por crianças mais velhas, e a diminuição da preferência por raça e sexo. As informações são da Vara de Infância e Juventude (VIJ).

Segundo a supervisora substituta de adoção da VIJ, Niva Campos, os desejos iniciais de quem pretende adotar podem mudar ao longo do processo. “No momento da apresentação da criança, ou durante a espera pela adoção, pode haver mudança do perfil desejado”, diz.

Em 2012, foram 68 crianças entregues a inscritos para adoção no DF. Esse número não representa o número de processos finalizados, com sentença, mas de crianças que foram colocadas em família adotiva, com relatório da Seção de Colocação em Família Substituta – ou seja, ainda aguardam decisão definitiva da Justiça.

Ainda no ano passado, foram proferidas 144 sentenças de adoção, sendo 26 casos por extensão do poder familiar e duas adoções internacionais. Ainda não houve registros em 2013.

A decisão

A história de Valéria, 50 anos, e Henrique (nomes fictícios), 61 anos, é exemplo disso. Casados há 20 anos, eles não tiveram filhos biológicos. No início do casamento, Henrique não desejava ter filhos. E ela, apesar de querer, optou por respeitar a decisão do marido. “Tinha a esperança de fazê-lo mudar de ideia. Como ele sempre teve uma índole maravilhosa, sabia que isso mudaria”, conta Valéria.

Mas o destino separou uma surpresa desagradável para os dois, logo no momento em que os objetivos tornaram-se compatíveis e eles decidiram que era o momento de ter um filho. Valéria teve de retirar o útero em decorrência de problemas de saúde, agravados pela diabetes e obesidade. O momento delicado fortaleceu a união e eles decidiram adotar uma criança. “Pela primeira vez, cogitamos a possibilidade e demos entrada ao processo”, relata.

Escolha por dois irmãos

A batalha de Valéria e Henrique pela adoção começou há três anos, mas somente há dois meses o sonho tornou-se realidade. Adotaram os irmãos Samuel, 7 anos, e Taís, 3, (nomes fictícios). Valéria conta que o objetivo era adotar apenas uma criança, com idade até 4 anos. A raça e a hereditariedade não eram relevantes para o casal. Mas, ao chegar ao abrigo, tudo mudou. “Encantei-me com o Samuel. Ele se isolou e ficou cuidando da irmã. Imediatamente, mudei meu perfil para crianças de três a sete anos”, conta. E ao fazer a alteração, a posição na fila mudou. “Estava na 360ª posição, e fui para a 120ª”, afirma.

Ao escolherem Samuel, houve mais uma surpresa: a exigência do garoto era que sua irmã fosse adotada junto a ele. “Ainda não tínhamos prestado atenção na Taís, então voltamos ao abrigo e ficamos admirados. A partir de então, decidimos que adotaríamos os dois”, diz.

Hoje, a rotina ganhou mais alegria com a chegada dos filhos. “Fico emocionada cada vez que os escuto me chamarem de mãe”.

Encontro de mãe e filha

A aposentada Eunice da Paz Guimarães, 66 anos, tem dois filhos biológicos. Ela não tinha o desejo ter mais filhos. Entretanto, há 20 anos, isso mudou. Ela conheceu uma moça que estava grávida e passava por necessidades, e decidiu ajudá-la. Quando a criança completou seis meses, a mãe quis oferecê-la a Eunice. A princípio, ela recusou, mas já estava apegada ao bebê e acatou a decisão. Um dia após a troca da guarda, a mulher morreu.

“Enfrentei o preconceito de muita gente e não tive apoio. Achavam que eu já estava velha para ter um filho, mas segui o coração”, conta.

Ainda bebê, Anna Karine foi vítima de uma infecção generalizada e correu risco de morte. “Os médicos diziam que bastava desligar os aparelhos para que ela morresse. Falavam que não havia mais o que esperar. Mas eu sabia que venceríamos essa”, diz.

Para a surpresa de todos, ela se recuperou e hoje é a melhor amiga da mãe. “Acho que Deus nos colocou na vida uma da outra para nos ajudarmos. Sem ela, não sei como seria quando fiquei viúva”, conta.

Emocionada, Anna afirma que é grata por ter sido escolhida: “Foi a mãe que Deus me enviou”.

Cadastro do DF

Crianças disponíveis para adoção

Segundo dados do Cadastro Nacional de Adoção, o perfil das crianças disponíveis para adoção é variado. No momento, no DF, a lista conta com 45 meninas e 60 meninos.

Aproximadamente 70% têm entre oito e 17 anos, sendo que mais de 50% das crianças já completaram 17 anos. Em relação à raça, quase 70% das crianças são definidas como pardas, 15% como brancas e 15% como pretas.

Ponto de vista

De acordo com Soraia Rodrigues, presidente da instituição Aconchego, iniciativa que desenvolve programas de convivência familiar e comunitária, ao optar pela adoção, é preciso se preparar para o longo caminho a ser percorrido. “O processo passa por muitas etapas jurídicas e emocionais. O pretendente precisa estar ciente disso”, observa.

Já a psicóloga Érica Machado afirma que é essencial que todos os envolvidos no processo sejam acompanhados por um psicólogo.

Matéria Sobre o Aconchego – TVSuprenBrasilia

Matéria exibida no Notícias Supren da TV SuprenBrasilia no dia 14.01.2013. A matéria aborda os diversos projetos do Aconchego.

A TV SUPREN é um canal de televisão que mostra a força dos exemplos de pessoas, organizações e movimentos em prol da construção de um mundo melhor.

Confira na íntegra as entrevistas com a Presidenta do Aconchego Soraya Pereira, a psicóloga Maria da Penha e Diná Querino Maciel mãe por adoção.

Aconchego

Entrevista da Presidenta do Aconchego para o Câmara Hoje

Entrevista com a presidenta do Aconchego, Soraya Pereira para o Câmara Hoje – no último dia 10/01/2013

Na entrevista concedida foram abordados assuntos como: Nova Lei de de Adoção, Curso pré-adoção e Apadrinhamento Afetivo.

Clique no Play para ver a entrevista.

Aconchego

Oficinas abordam sobre adoção

Aconchego

Cerca de 20 profissionais, de cinco municípios da Serra, ligados às casas de acolhimento, Conselhos Tutelares e instituições com atuação direta na promoção e defesa dos direitos da criança e do adolescente, participaram de oficinas de capacitação. A promoção das oficinas foi do Grupo Aconchego – Convivência Familiar e Comunitária, de Brasília, em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República

As oficinas, realizadas em duas etapas no mês de outubro, aconteceram no auditório da Amures, em Lages, tiveram 40 horas de duração e encerraram-se ontem. A próxima etapa, é a realização de um estudo de caso, que deve acontecer em janeiro. Os profissionais participantes, são representantes de Lages, Otacílio Costa, Campo Belo do Sul, São Joaquim e Correia Pinto.

O objetivo da capacitação é disseminar práticas que contribuam para o sucesso da adoção legal e do apadrinhamento afetivo de crianças e adolescentes que se encontram nas casas de acolhimento em toda Serra Catarinense.

“Este é um projeto que prevê a disseminação de uma metodologia de preparação das famílias para adoção ou para o apadrinhamento efetivo. É uma ação de estudo e reflexão onde priorizamos o trabalho em rede”, ressalta a representante do Grupo Aconchego, Maria da Penha Oliveira da Silva.

Além de trabalhar temas voltados à adoção, a capacitação também trata sobre o apadrinhamento afetivo. “As crianças e adolescentes apadrinhados, são aqueles que têm rara possibilidade de voltar para as famílias ou de serem adotadas, porque não correspondem ao perfil buscado pelas famílias. Nesta questão, trabalhamos responsabilidade, respeito, o que é um padrinho ou madrinha, como atingir a criança, qual a importância deste vínculo no seu desenvolvimento.”

A coordenadora da capacitação, Louise Siqueira, destacou que a nova lei de adoção obriga as famílias a participarem de um curso rápido antes da efetiva adoção de crianças e adolescentes.

Segundo ela, o Grupo Aconchego selecionou dez estados em todo o país para fazer parte do projeto. Lages e os demais municípios da Serra, representam o Estado de Santa Catarina.

Novos Vínculos: Capacitação Prepara Agentes para a Promoção da Adoção no Estado do Acre

Aconchego

O projeto “Novos Vínculos” iniciou, na manhã desta terça-feira (21), a segunda fase de capacitação dos profissionais que integram o sistema de garantia de direitos da infância e juventude. O projeto é de autoria da organização não governamental Aconchego, com sede no Distrito Federal e no Acre, com a parceria do Ministério Público do Estado do Acre (MP/AC) e do Grupo “Uma Adoção Consciente”, e tem o objetivo de contribuir para a promoção da convivência familiar de crianças e adolescentes em situação de acolhimento institucional.

A primeira fase dessa capacitação ocorreu em Brasília nos meses de abril e maio, onde foram aproximadamente 30 profissionais dos Ministérios Públicos, Tribunais de Justiça, Grupos de Apoio à Adoção e outras ONGs, vindos de outros estados brasileiros para se tornarem disseminadores das metodologias dos programas de preparação para a adoção e apadrinhamento afetivo.

A procuradora-geral Adjunta para Assuntos Administrativos, Kátia Rejane Rodrigues, representando a Procuradoria-Geral na abertura do evento, fez um resgate histórico sobre o trabalho das instituições na promoção da adoção no Estado do Acre e do engajamento dos agentes públicos na causa. “Somos pessoas que temos muita vontade de fazer, de ver o movimento crescer”, destacou a procuradora.

Segundo o promotor de Justiça da Infância e Juventude, Francisco Maia Guedes, assegurar a efetividade do direito a um vinculo afetivo, mesmo que substituto, através de agentes plenamente preparados para enfrentar as mais diversas situações é fundamental para garantir o direito à família.

O curso terá duração de 40 horas, e será ministrado pela psicóloga Ana Carla Domingues de Araújo, da organização Aconchego, desenvolvido em parceria com a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Aconchego promove 17º Encontro Nacional de Apoio à Adoção

Mais de mil pessoas marcaram presença ao longo dos três dias do evento, realizado pela primeira vez em Brasília

Com o objetivo de melhorar a convivência familiar e comunitária de mais de 5 mil crianças e adolescentes que estão em instituições de acolhimentos pelo país, a ONG Aconchego realizou nos dias 7, 8 e 9 de junho a 17ª edição do Encontro Nacional de Apoio à Adoção (Enapa), realizado pela primeira vez em Brasília, no Hotel Nacional. A iniciativa faz parte do projeto Fortalecimento da Rede de Apoio à Adoção e Convivência Familiar e Comunitária e conta com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR) e do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda). O evento reuniu os principais atores que envolvem a temática da adoção com a intenção de firmar um pacto social definido “Unir para cuidar”, dando assim o pontapé inicial para mudar a realidade da adoção no país.

O encontro contou com a presença do ministro-chefe da Presidência da República Gilberto Carvalho; da secretária Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente, Carmen Silveira de Oliveira; da presidente da Associação Nacional de Apoio à Adoção, Maria Bárbara Toleto Andrade e Silva; do ministro do Supremo Tribunal Federal, Ayres Britto; da secretária adjunta da Secretaria da Criança do DF, Catarina Araújo, e da presidenta da ONG Aconchego Soraya Pereira.

Na ocasião de abertura, o ministro Gilberto Carvalho entregou uma carta da presidente Dilma Rousseff à comissão organizadora do evento, onde manifestou o interesse político de contribuir com a causa. O ministro também falou da importância da iniciativa e compartilhou a emoção de ser pai adotivo de duas meninas: Brenda e Bruna. “Espero que o Enapa seja de fato um pólo de irradiação de uma decisão política da nossa parte do Executivo, como do Judiciário e Legislativo para ampliar e facilitar, e assim, fazer um movimento de conscientização nacional sobre o processo de adoção, e dessa forma proporcionar a várias outras pessoas a alegria que eu experimento de te der adotado duas meninas que mudaram a minha vida”, declarou o ministro.

A relevância do evento também ganhou destaque no discurso da presidente da Aconchego Soraya Pereira. “Precisamos dar voz às crianças e adolescentes institucionalizados. Precisamos rever nossa parcela e buscar soluções para que todos tenham o direito da convivência familiar e comunitária. É um contexto, abandono, que acusa afetivamente e profissionalmente a sociedade. A importância está na união dos poderes para que possamos discutir políticas públicas com vontade de unir para cuidar”, ressaltou.

Os presentes no primeiro dia do evento ainda puderam desfrutar de momentos de descontração com a apresentação cultural do grupo Batucar e de uma palestra que envolveu o tema “Unir para cuidar”, proferida pelo professor e teólogo Leonardo Boff, que não pensou duas vezes ao aceitar o convite para debater a questão da adoção no Brasil. “Eu acho que é um gesto de um amor profundo para o ser um humano, especialmente o ser humano mais abandonado que vê privado do direito de ter uma família, um carrinho, um aconchego e de crescer no dialogo com as forças que pai e mão comunica com cada pessoa, que são duas forças que carregamos ao largo da vida,por isso que eu aceitei o convite para reforçar esse movimento”, revelou Boff.

Oficinas, debates e seminários interativos

Diferente das edições anteriores do Enapa, a 17ª edição promovida pela Aconchego trouxe uma nova formatação para o evento que ocorre anualmente. Com o intuito de promover a interação e o debate que envolve o tema, os participantes puderam participar de oficinas dirigidas por especialistas que envolvem a área como juristas, psicólogos, assistentes sociais, entre outros. Os temas das oficinas variaram dentro da temática da adoção como políticas públicas, adoções internacionais, devolução de crianças, polêmicas judiciais, entre outras. Além das oficinas, os inscritos também participaram de dois grandes debates interativos, no qual os mais de 150 espectadores virtuais também puderam enviar suas dúvidas, o que para a presidente da Angaad, Maria Bárbara Toledo, foi um grande avanço do encontro.“Mais importante que a metodologia por oficina foi haver esse paralelo com um congresso virtual, porque muitos participantes e grupos de apoio que não puderam por uma circunstancia ou outra estar aqui vão estar se sentindo dentro, vendo o que está acontecendo, além de participar. O que eu considero um avanço mais que significativo”, aprovou.

O público presente também foi surpreendido com uma homenagem especial, via vídeo, da cantora e madrinha da Aconhego, Elba Ramalho. Comprometida com a causa, além de ser mãe adotiva de três meninas, a cantora ainda se demonstrou interessada pelas discussões realizadas ao longo do Enapa. “Mando um abraço fraternal às pessoas que fazem a ong Aconchego acontecer de forma tão amorosa, dedicada e carinhosa ajudando a sociedade de um modo geral. Espero que esse encontro seja extremamente produtivo e promissor tanto na flexibilidade do Judiciário, na questão da adoção e na questão de dar amparo às crianças e dando assim oportunidade delas terem uma família. Espero que esse evento tenha sito muito proveitoso”, disse.

Carta unir para cuidar

O encerramento do 17º Enapa contou com a formulação de uma carta de compromisso que incluiu os principais pontos discutidos ao longo dos três dias de evento. O documento será entregue aos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário. As mais de 20 entidades participantes assumiram conjuntamente o pacto social representado pela carta de compromisso, no qual firma ações voltadas para o envolvimento efetivo para a implementação de ações e medidas visando contribuir para o fortalecimento do Movimento Nacional de Apoio à Adoção e ao direito à convivência familiar e comunitária de crianças e adolescentes. O comprometimento firmado pelos participantes no evento também foi percebido pela presidente da Aconchego, Soraya Pereira, que avaliou positivamente o evento. “Conseguimos alcançar nosso objetivo, que era fortalecer a rede, unir para cuidar. Todos saímos com o compromisso de dar um passo para este ato”, afirma.

A Carta Unir para Cuidar sendo assinada pelos participantes do 17º ENAPA

Aconchego

25/5 – Dia Nacional da Adoção: governo e ONG empenham-se para desfazer preconceitos

Em 25 de maio comemora-se o Dia Nacional da Adoção. Na véspera, 24 de maio, a ONG Aconchego, que há 14 anos trabalha pelo direito que toda criança tem de viver em família, lança em Brasília, junto com o a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, uma campanha nacional de sensibilização para estimular a adoção de crianças que crescem nas instituições de acolhimento à espera de um lar.

Preconceito e falta de informações são os principais empecilhos para que as crianças brasileiras aptas para a adoção possam ganhar uma nova família. Essa é a constatação a que levam os dados do Cadastro Nacional de Adoção, uma lista do judiciário que mostra os números das adoções no país.

“Tivemos no ano passado mais de 26,7 mil pretendentes cadastrados para a adoção em todo o país e do outro lado da fila 4,5 mil crianças e adolescentes aptos à adoção, de acordo com números do Cadastro Nacional”, observa Soraya Pereira, presidente do projeto Aconchego, uma das instituições que oferecem cursos gratuitos para preparar futuros pais e mães de crianças adotadas, conforme prevê a lei da adoção.

A psicóloga ressalta que, entre as principais barreiras para a adoção, a idade e a cor da pele ainda são preponderantes. O Cadastro Nacional de Adoção revela que mais de 90% dos brasileiros ainda preferem adotar crianças brancas e menos de um terço aceita crianças negras. No entanto, entre os meninos e meninas que crescem nas instituições de acolhimento 65% são afrodescendentes. “A maioria das famílias habilitadas também quer crianças com menos de 2 anos de idade e a realidade dos abrigos é outra”, conclui a presidente do Aconchego com base nos números do Cadastro Nacional.

Além disso, mais de 80% dos pretendentes à adoção querem um único filho, enquanto mais de 75% das crianças abrigadas possuem irmãos. Também não é desprezível o número de crianças que possuem problemas de saúde: foram registradas no ano passado quase 950 – mais de 20% do total.

Distrito Federal: mais de duas famílias por criança

De acordo com dados da Primeira Vara da Infância e Juventude do Distrito Federal, 395 famílias estão cadastradas e habilitadas para a adoção no DF, enquanto o número de crianças que podem ser adotadas chega a 163. Os números seriam animadores, perfazendo a proporção de cerca de 2,5 famílias para cada criança.

“Porém, desse total, cem são adolescentes, com idade entre 12 e 18 anos incompletos. E, quanto às famílias, 369 delas só querem adotar crianças com no máximo 2 anos e que não sejam negras”, explica o psicólogo do Juizado da Infância e Juventude , Walter Gomes, ressaltando que, atualmente, no DF, não há nenhuma criança que possa ser adotada com as características desse filho imaginado pelos candidatos.

No DF, 98% das famílias querem acolher crianças com até 2 anos, que sejam saudáveis, que não sejam negras e que não tenham irmãos. Porém, 65% das crianças cadastradas para adoção têm irmãos.

Assim, sobram famílias dispostas a adotar, mas, na prática, falta quem acolha em seu lar crianças com idades e biotipos que fazem maioria nas instituições. “Crianças com esse perfil não despertam interesse das famílias dispostas a adotar”, resume Gomes, acrescentando que, além disso, a adoção tardia (acima de 3 anos), ainda é alvo de muito preconceito.

Porém, o preconceito parece estar arrefecendo um pouco mais. Comparando os números de adoções tardias no Distrito Federal, ele mais do que dobrou nesses primeiros meses de 2011 com relação a 2010. “De janeiro até maio desse ano, já temos 26 crianças com mais de três anos de idade em estágio de convivência. Já em todo o ano de 2010, foram apenas 11 crianças a serem beneficiadas com a adoção tardia”, indica Gomes. Ele atribui essa melhora aos cursos de preparação para a adoção, feitos pela Vara da Infância e Juventude e pelo Aconchego. “Há dez anos, a adoção tardia era uma escolha rara”, comemora.

E para que um número cada vez maior de crianças e adolescentes possam ter garantido o direito de serem chamados de filhos é que o Aconchego lança a campanha nacional ‘Adoção: família para todos’ com o apoio da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. O objetivo é mostrar a adoção como um direito da criança destituída do poder familiar. E que adoções que nem sempre correspondem ao filho imaginado podem, sim, dar muito certo.

Adoção: Família para todos – Projeto Aconchego

O Aconchego convida para o lançamento da campanha ‘Adoção: família para todos’ a realizar-se no dia 24 de maio, às 19h30min, no Auditório do Palácio do Planalto, Esplanada dos Ministérios, Brasília/DF.

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O vídeo retrata várias adoções especiais, com finais muito felizes, inclusive, nossa história com o Miguel.

Programação:

24/05/2011 - Auditório do Palácio do Planalto
19h30 - Abertura

Roberto Carlos Ramos, o Contador de Histórias, vai contar a sua própria história

Pedagogo mineiro, cresceu na antiga FEBEM e foi adotado por uma francesa que acreditou em seu potencial. Sua história virou filme e hoje ele tem vários filhos por adoção, todos, como ele, considerados ‘inadotáveis’.

20h15 – Exibição do vídeo da campanha “Adoção: Família para Todos”

Documentário de 5 minutos sobre adoções que fogem do padrão e deram muito certo, produzido pelo Grupo Aconchego, em parceria com a Universidade Católica de Brasília e Secretaria de Direitos Humanos.[1]

20h30 – Sra. Soraya Kátia Rodrigues Pereira, presidente do Projeto Aconchego

20h45 – Ministro Gilberto Carvalho, Secretário Geral da Presidência da República

21h00 – Ministra Maria do Rosário, Secretária de Direitos Humanos.

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Este vídeo será disponibilizado para Grupos de Apoio à Adoção de todo país, varas da infância, organizações sociais e conselhos de direitos. Será também veiculado nos canais de TV (desmembrado em pequenas peças) e internet. A ideia é que ele seja ponto de partida para o debate sobre a adoção como um direito da criança, principalmente aquelas que ficam ‘esquecidas’ nas instituições de acolhimento.

9 fatos que você não sabia sobre adoção

Aconchego

1. Quanto tempo costuma levar o processo de adoção?

De menos de doze meses a cinco anos: tudo depende, principalmente, do perfil determinado pelo adotante. De acordo com Soraya Pereira, presidente do Projeto Aconchego, grupo de apoio à adoção e ao apadrinhamento afetivo de Brasília, futuros pais que querem adotar uma criança branca e recém-nascida podem ficar de quatro a cinco anos na fila. O tempo de espera para quem faz menos exigências chega a cair para três meses .

Mas o processo costuma ser muito cauteloso e, entre cadastros, entrevistas e visitas, é bom contar com pelo menos um ano. É o conselho da psicanalista, terapeuta familiar e especialista em família e adoção Cynthia Ladvocat, conselheira da ONG Terra dos Homens. “Raramente acontece antes disso”, conta.

2. Solteiros podem adotar?

Sim, não há nenhum impedimento. Pessoas solteiras, de acordo com Bárbara Toledo, podem entrar para o processo de adoção e serão avaliadas da mesma forma.

3. Casais homoafetivos podem adotar?

Sim. Mas a principal dificuldade é conseguir o reconhecimento da dupla-paternidade ou dupla-maternidade logo de início. “Agora está começando a haver até mesmo uma modificação na certidão de nascimento para fazer este reconhecimento”, diz Soraya Pereira.

De acordo com Bárbara Toledo, no entanto, a facilidade para o processo de adoção depende da comarca em que o pedido for efetuado. “Alguns juízes não veem problema, mas outros ainda não se abriram para a possibilidade”, comenta. De qualquer forma, a questão da sexualidade não entra na avaliação dos adotantes.

4. Maiores de 18 anos também podem ser adotados?

Sim, mas não mais pela Vara da Infância e Juventude. Bárbara de Toledo afirma que, nestes casos, o processo de adoção acontece pela Vara da Família e a vontade de um jovem de mais de 18 anos tem um peso muito maior do que o de uma criança.

5. A mãe adotiva tem direito a licença-maternidade?

Sim. A licença-maternidade da mãe adotiva tem a mesma duração da mãe biológica – entre quatro e seis meses, dependendo da empresa. No entanto, de acordo com Bárbara de Toledo, esta licença ainda não está muito clara para o caso de adoções tardias, de mães e pais que adotarem crianças mais velhas. “Mesmo nestes casos os adotantes precisam de um tempo para cuidar da adaptação da criança, mas ainda é algo que está sendo batalhado”.

Além disso, ainda é preciso que a licença-maternidade se torne genérica, para que pais adotivos solteiros também possam usufruí-la. De acordo com Soraya Pereira, um pai adotante de Brasília já entrou na Justiça e conseguiu uma licença para poder cuidar do filho.

6. É mais difícil adotar irmãos?

Embora a adoção de irmãos costume demorar menos, os futuros pais podem passar por um processo mais cauteloso e detalhado – afinal, ter duas ou mais crianças de uma vez não é fácil. “Se um solteiro adotar um casal de irmãos, por exemplo, as crianças podem se unir como aliados dentro de casa e a adoção pode não dar certo”, avalia Soraya Pereira.

Pela dificuldade de adotar duas ou mais crianças e pela questão financeira dos futuros pais, já existem casos de irmãos que vão para famílias diferentes, mas famílias amigas e escolhidas a dedo para que os irmãos continuem a crescer juntos. “A lei diz que não se pode separar irmãos, mas esta solução começa a ser permitida e dá certo”, diz.

7. A criança pode pedir para ser retirada da família pela qual foi adotada?

Assim que a adoção ocorre, a criança passa a ser filha daquela família como em qualquer outra família. Se ela quiser ser retirada daquele lar, o pedido deve ser investigado para saber se ela está sendo maltratada, por exemplo. Mas Soraya Pereira afirma que é muito raro acontecer: até o processo se completar, já ocorreu um acolhimento de ambas as partes e a criança já venceu a maior parte do caminho para também “adotar” os pais.

8. Os pais são obrigados a aceitar a primeira criança que lhes for apresentada?

Não, mas podem ter problemas se recusarem uma criança dentro do perfil. Segundo Bárbara de Toledo, algumas Varas podem até acabar colocando os pretendentes de volta ao final da fila por isso.

9. A mãe adotiva pode amamentar?

Sim. Mas não é algo que costume acontecer espontaneamente. Na maioria dos casos, para que a mãe adotiva possa amamentar , segundo o consultor em amamentação Marcus Renato de Carvalho, também professor do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio de Janeiro, além de desejar amamentar e estar disponível física e emocionalmente, há uma técnica de indução à lactação.

Com a orientação do médico, a mãe pode usar um medicamento que inibe o fator de inibição da prolactina – hormônio que estimula a produção de leite. Além disso, ela deve usar uma pequena sonda colada ao mamilo. Na hora de amamentar, enquanto o bebê tenta sugar o leite da mãe, a sonda fica ligada a um copo com fórmula infantil. O que faz produzir leite é, segundo o especialista, o sugar no peito. Como o bebê não suga em um peito sem leite, a técnica é ideal: “Como ele não fica desmotivado, já que o leite vem da sonda, isso estimula a produção. Após pouco tempo, o leite acaba saindo da mama”.

Devolução de crianças diminui quando há preparação das famílias adotantes

O programa Participação Popular apresentou no ano passado um debate especial sobre adoção. Daniele Cristina Nunes, que foi adotada aos dois anos de idade, dá seu depoimento.

Milson de Andrade, que adotou uma criança, também conta sobre a experiência.

Para Walter Gomes, da Vara da Infância e da Juventude do DF, a adoção só não dá certo quando falta preparo das famílias para receber as crianças. “A nova lei avançou na medida em que estabeleceu a preparação psíquica, social e jurídica dos candidatos a adotar”.

Soraya Pereira, presidente do Projeto Aconchego, explica que em Brasília, o Projeto Aconchego tem conseguido reduzir o número de devoluções de crianças adotadas, pois foca a instrumentalização para as famílias acolherem.

Créditos:

  • Daniele Cristina Nunes - adotada
  • Milson de Andrade – pai adotivo
  • Walter Gomes - Vara da Infância e da Juventude/DF
  • Paula Bittar - repórter
  • Soraya Pereira - presidente do Projeto Aconchego
  • Mariana Przytyk – repórter
  • Adriana Marcondes - repórter

Adotar é ter a capacidade de acolher e dar afeto

O Projeto Aconchego trabalha em duas frentes: incentiva a adoção e o apadrinhamento. A presidente do projeto, Soraya Pereira, explica porque existem no país cerca de 80 mil crianças vivendo em abrigos esperando para serem adotadas.

No último dia 25 de maio, o Brasil comemorou o Dia Nacional da Adoção. Mas o processo de adoção, ou seja, a melhor forma de dar uma família às crianças e adolescentes do Brasil, continua com limitações. De acordo com a Associação dos Magistrados Brasileiros existem hoje no Brasil cerca de 80 mil crianças vivendo em abrigos esperando para serem adotadas. Para a psicóloga e presidente do Projeto Aconchego, Soraya Pereira, que realiza trabalhos voltados para a adoção, isso ocorre devido à exigência que os futuros pais fazem na hora da adoção. Na maioria dos casos, os pais querem recém-nascidos, do sexo feminino e cor branca. Para Soraya, o importante é a pessoa ter a capacidade de acolher e dar afeto.

Como funciona o Projeto Aconchego?
O projeto foi criado por um grupo de pais adotivos com um objetivo de criar um espaço para trocar idéias e experiências diante de um tema que era comum a todos. O projeto foi crescendo e foram chegando cada vez mais pais. Então, vimos que a gente tinha muito mais o que fazer, não só trocar idéias. Era preciso mudar essa cultura sobre a adoção. Muitos ainda pensam que filho por adoção é um filho que dá problemas. Muitos falam "não mexe com isso", "criar filho dos outros é complicado", o que acaba gerando mitos e crenças. Então começamos a levantar bandeira dessa mudança de conceitos e pré-conceitos. Hoje temos esse enfoque de estar sempre divulgando a adoção, mostrando o que é a adoção. Adotar nada mais é do que uma opção de como você vai ter um filho. O filho nasce de cesária, parto normal ou adoção.

O projeto trabalha apenas com a adoção?
Não. Temos também o apadrinhamento. Com o passar do tempo começamos a perceber que algumas crianças estavam com as famílias adotivas, mas outras estavam ficando nos abrigos. E notamos que essas eram todas maiores de 5 anos. A partir de 2 anos as crianças vão perdendo as chances de serem adotadas. Acima de 5 anos, os meninos, crianças com necessidades especiais e grupos de irmãos, vão perdendo também o lugar da fila de adoção para os menores de 2 anos. Então nós resolvemos trazer o apadrinhamento para o projeto. São para crianças maiores, adolescentes, que sabemos que vão ficar no abrigo, pois as chances de adoção são mínimas. O apadrinhamento funciona assim, nós capacitamos algumas pessoas para que elas possam acompanhar as crianças e adolescentes. Os padrinhos precisam dar afeto e estar sempre junto da criança. Não é apadrinhamento comum, e sim o afetivo. O dinheiro não tem importância. É claro que o padrinho pode dar dinheiro, presentes, levar pra passear ou até viajar, mas o foco é dar atenção para a criança. Fazer visitas pelo menos duas vezes por mês. Não é o apadrinhamento comum. É o apadrinhamento afetivo. A criança tem consciência de que não é adoção. Tem casos que vira adoção, mas não é o objetivo. Temos o problema também que muita gente procura o programa de apadrinhamento, mas quando conhece melhor o trabalho, muitos desistem.

O que você acredita que atrapalha mais a adoção? A exigência dos pais ou a lentidão da Justiça?
A demora na Justiça não é grande. O que demora é a exigência do pai que fica esperando o perfil do filho que quer adotar. Quase todo mundo quer criança, menina e de cor clara. Nós não somos um país europeu, então a chance de menina de cor clara já começa a diminuir. Outro problema é a adoção ilegal, ou seja, uma pessoa que conhece alguém que teve neném e não quer ter que cuidar desse filho e acaba querendo entregar. Então, ao invés de ir até a Vara da Infância e fazer essa entrega legal, acaba dando direto para terceiros e essa criança não chega à fila da adoção. Essa fila fica parada, fica um congestionamento. Enfrentamos também o problema com pais que conseguem a adoção e acabam devolvendo a criança. Muita criança volta para o abrigo, pois os pais não estavam preparados para cuidar ou entender o desenvolvimento infantil e, sim, focado no desejo de ter uma criança e não no desejo de construir um vínculo afetivo.

A Associação dos Magistrados Brasileiros lançou o projeto Mude um Destino em favor da adoção consciente. De acordo com a AMB, 80 mil crianças vivem em abrigos hoje no país. Você acredita que o projeto vai mudar essa situação?
O projeto muda essa situação se a gente, juntamente, conseguir mudar o perfil dessa população que quer filho por adoção. É preciso colocar na cabeça dos pais que pode adotar a criança mais velha. Isso dá certo. Se a gente conseguir quebrar a cultura das pessoas que querem sempre recém-nascidos, ou conseguir esclarecer para a genitora que ela pode entregar seu filho na Vara da Infância que ela não será processada. É preciso conscientizar as mães de que elas serão processadas só em caso de abandono. Muitas vezes a genitora não entrega com medo, acha que vai ser punida. Se conseguirmos fazer essas mudanças, conseguimos mudar essa situação das 80 mil crianças. Acho que é de grande valia também a mídia fazer uma reportagem com esse esclarecimento, tirando as dúvidas dos dois lados da adoção: a mãe que entrega e a mãe que adota.

Foi lançado também o Cadastro Nacional da Adoção que permite que uma criança seja adotada por um pai de outro estado. O que você acha do Cadastro?
Vai ser legal, pois o cadastro vai começar a unificar. Atualmente, eu entro com um pedido em Brasília e recebo minha habilitação, tudo certo para realizar a adoção. Então, eu tiro cópia dessa habilitação e mando para vários estados. Esse procedimento é legal, mas eu não sei se pra onde eu estou mandando eles querem os mesmos documentos que exigiram aqui em Brasília e se lá tem a criança que eu quero. É ai que acontece a mudança com o Cadastro. Todos os estados passarão a pedir os mesmos documentos e todas as crianças vão estar inscritas nesse cadastro. Quando eu tirar minha habilitação, eu entro no cadastro e vejo onde tem a criança que eu quero. Mas é preciso lembrar sempre que não adianta nada se as pessoas não mudarem o perfil delas. Não tem criança recém-nascida para adoção, quase todas as crianças são mais velhas. Então precisa existir essa campanha de adoção legal e de esclarecimento. Ai é o ponto. Se você não pode, não quer a criança, faça a entrega na justiça, vá à Vara da Infância.

Como é o trabalho da Vara da Infância?
Quando a mãe entrega na justiça, tem um grupo de psicólogos que estão lá para trabalhar junto com essa mãe. É dado para a mãe um tempo para elaborar se é isso mesmo que ela quer. Depois de todo o trabalho, se for decidido mesmo a adoção, a mãe perde o poder familiar. E então, a Vara faz o trabalho de acompanhamento para que a mãe não se sinta culpada e pressionada pelo meio social.