Pandemia afeta a realidade de instituições de acolhimento

Por conta da Covid-19, foi necessário diminuir o recebimento de visitas. O contato das crianças e adolescentes com o mundo externo também foi prejudicado

Por Gabriella Collodetti

Há quase três décadas e meia, o Lar de São José, em Ceilândia (QNM 32), atende crianças e adolescentes para oferecer auxílio psicossocial e pedagógico, em tempo integral, no serviço de acolhimento. O suporte da entidade é disponibilizado, sob medida protetiva estabelecida no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com encaminhamentos nas áreas de saúde, educação e lazer.

Com 64 acolhidos, atualmente, o espaço, em Brasília, passa por dificuldades desencadeadas pela pandemia ocasionada pelo novo coronavírus. A instituição, assim como outros estabelecimentos sociais, sofreu fortes mudanças em virtude da infecção viral, que exige cuidados redobrados para evitar a sua transmissão, como o distanciamento social.

Sem visitas e com menos contato com o mundo externo, o espaço teve que remanejar as suas atividades internas em prol da saúde dos colaboradores e dos jovens que residem no ambiente. Os eventos realizados com frequência, por exemplo, dentro do Lar de São José, deixaram de ocorrer para evitar aglomerações. Além disso, o recebimento de doações, no começo da pandemia, no ano passado, também foi algo prejudicado.

“Era uma rotina diferente, mais ativa e com contato de outras pessoas com a instituição. Tratando-se do universo dos acolhidos, também tínhamos a frequência em aulas presenciais, o que possibilitava a interação das crianças e adolescentes com outros jovens da mesma idade”, explica Aline Ferreira, coordenadora do Lar de São José.

Ela destaca que a Covid-19 também impactou a relação dos colaboradores da instituição com os meninos e meninas da rede. O afeto, transmitido por um abraço, se tornou menos frequente para preservar a segurança de todos. As brincadeiras realizadas passaram, igualmente, por adaptações.

Imagem de Arquivo/Lar de São José

“Outros aspectos foram fortemente influenciados com a situação pandêmica que estamos lidando. Tivemos, por exemplo, que remanejar os encaminhamentos dos casos, readaptando a uma nova realidade que trouxe insegurança e imprevisibilidade. Buscamos estratégias diferentes para não lesar procedimentos que não podem ficar estagnados, como a reintegração familiar. Por essa razão, inovamos dentro da instituição”, conta.

No Lar de São José, alguns cuidados foram adotados para minimizar as chances de gerar casos dentro da entidade. Visitas domiciliares passaram a ser realizadas de forma virtual e a presença física de famílias teve que ser readequada para que não houvesse muitas pessoas em um mesmo ambiente.

Nisso, hoje em dia, é realizado agendamento para que seja viável qualquer tipo de visitação. Além disso, foi implementado protocolos internos de saúde, como aferição de temperatura e utilização de Equipamentos de Proteção Individual (EPI).

Entretanto, apesar do impacto no dia a dia de trabalho, Aline reforça que a instituição tentou minimizar as mudanças internas com os acolhidos, visto que eles foram amplamente prejudicados com atividades de lazer. “A gente tem uma limitação de recurso e de estrutura para proporcionar algo diferente no ambiente interno. Por esse motivo, eles estão mais ociosos e estressados, pois estão sempre no mesmo espaço, de uma forma muito restritiva. Temos dialogado bastante para que novas ações possam ser adotadas dentro da casa, buscando relaxá-los e diverti-los”, diz.

Diálogo

No começo da pandemia, Aline conta que os colaboradores ainda se sentiam perdidos em relação à doença, sem saber da sua duração ou impacto. Com o passar dos meses, a instituição apostou em conversas explicativas sobre o que estava acontecendo fora do abrigo. A suspensão das aulas foi fundamental para contextualizar sobre essa nova realidade social e, desde o início, o Lar de São José manteve a transparência com as crianças e os adolescentes sobre a Covid-19.

“Tentamos manter isso até hoje. É importante que eles se mantenham atualizados. Explicar, detalhadamente, foi complexo, contudo, conseguimos manter o diálogo. Ser transparente com esses jovens é uma forma de ajudá-los a se prevenirem, cuidarem de si e dos demais. Precisamos dar protagonismo e autonomia a eles, como indivíduos”, complementa a coordenadora.

A profissional, presente na instituição há 13 anos, ainda reforça a importância da sociedade estar ciente dessa realidade dentro dos abrigos. Indo além de preconceitos, ela explica a necessidade da empatia com as crianças e adolescentes que foram afastadas do convívio familiar, por decisão judicial, em decorrência de alguma violação grave de seus direitos.

“É preciso olhar para esses indivíduos e enxergá-los como parte da sociedade. Por isso, é fundamental ajuda-los a garantir direitos, seja como criança ou adolescente. Fomos acostumados a ver esse público, que vive em uma realidade institucional, de forma pejorativa, como se fossem inferiores ou menos capazes. Não podemos deixar isso acontecer”, pontua.

Lar de São José

Suporte

Por conta da pandemia, o Lar de São José, assim como outras instituições, tem enfrentado dificuldade diárias, desde o fornecimento de itens básicos à promoção de atividades que contribuem com o desenvolvimento de crianças e adolescentes.

É possível oferecer suporte à entidade de diferentes formas. Doações de alimentos, materiais de limpeza e higiene pessoal, materiais escolares, roupas, calçados, brinquedos, móveis e utensílios de casa podem ser entregues direto na casa.

Para fornecer auxílio financeiro, basta encaminhar o valor disponibilizado para os dados bancários da instituição:

Lar de São José
Banco do Brasil
Agência: 1022-7
CC: 5025-3
CNPJ: 02.561.520/0001-07
Pix: (61) 98613-8787

Instituições de acolhimento

Segundo o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), há 16 instituições de acolhimento e um Serviço de Família Acolhedora localizados em Brasília. Devido a pandemia, todos passam por uma situação parecida com a do Lar de São José.

Confira a lista completa, atualizada em dezembro do ano passado e disponibilizada no site oficial do órgão do Distrito Federal:

Aconchego – Grupo de apoio à convivência familiar e comunitária: Serviço de Acolhimento Família Acolhedora

Site: aconchegodf.org.br
E-mail: contatos@aconchegodf.org.br
familiaacolhedora.aconchego@gmail.com

ABBA Pai – Instituto Nossa Missão

Site: institutonossamissao.com.br
E-mail: direcao@institutonossamissao.com.br

AMPARE – Associação de Mães Protetoras, Amigos e Recuperadora de Excepcionais

Site: amparedf.org.br
E-mail: contato@ampare.org.br

Batuíra – Obras Sociais do Centro Espírita

Site: ccbatuira.org.br
E-mail: coordenacao@ccbatuíra.org.br

Casa de Ismael

Site: .casadeismael.org
E- mail: administracao@casadeismael.org
servicosocial@casadeismael.org

Casa do Caminho

Site: casadocaminho.org
E-mail: casadocaminhoorg@hotmail.com
casadocaminho.tecnicas@gmail.com

Casa Transitória de Brasília

E-mail:  psicossocialctb@gmail.com

Grupo Luz e Cura

Site: larjesusmenino.org.br
E-mail: larjesusmenino@larjesusmenino.org.br

LBM – Instituto do Carinho (Bezerra de Menezes)

Site: institutodocarinho.org.br/
E-mail: secretaria@larbezerrademenezes.org.br
resgate@institutodocarinho.org.br

Obras Sociais Do Centro Espírita Irmão Áureo

Site: osceia-df.org.br
E-mail: ceia@ceia-df.org.br

Lar da Criança Padre Cícero

Site: larcriancapadrecicero.blogspost.com
E-mail: lardacriançapadrecicero@gmail.com

Lar de São José

E-mail: lardesaojose@hotmail.com

Lar Infantil Chico Xavier

Site: larzinhochicoxavier.org.br
E-mail: larchicoxavier@gmail.com

Nosso Lar – Sociedade Cristã Maria e Jesus

Site: nossolardf.org.br
E-mail: nossolardf@ig.com.br

Central de Acolhimento Unac – Taguatinga Norte

E-mail: centraldeacolhimento@sedest.df.gov.br

UNAC I – Guará

E-mail:  acolhimentoguara@sedestmidh.df.gov.br

UNAC II – Recanto

E-mail:  acolhimentorecanto@sedestmidh.df.gov.br

UNAC III – M Norte – Casa de Passagem

E-mail:  acolhimentomnorte@sedestmidh.df.gov.br

Vila do Pequenino Jesus

Site: viladopequeninojesus.com.br
E-mail: social@viladopequeninojesus.com.br
psicossocial@viladopequeninojesus.com.br

ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO – GRUPO ACONCHEGO
Proativa Comunicação
Contatos: Flávio Resende (61 99216-9188) / Gabriella Collodetti (61 99308-5704)
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