Adoção tardia diminui a cada ano no Brasil

Por Gabriella Collodetti

De acordo com o CNJ, 51% das crianças adotadas, desde 2015, possuíam menos de quatro anos

De acordo com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), a preferência da maioria das pessoas que está na fila para adotar são crianças menores. Cinquenta e um por cento dos adotados possuem faixa etária inferior a quatro anos.

A adoção tardia é um assunto importante para ser debatido no Brasil, visto que muitos jovens chegam aos seus 18 anos sem conseguirem um lar. Sabe-se que existem mais de 34 mil pretendentes para adoção, contudo, menos de 10% desejam adotar uma criança com mais de oito anos.

“Encontrar famílias para crianças maiores e para adolescentes é o grande desafio dos serviços de Justiça. Atualmente, são quase cinco mil jovens no Cadastro Nacional da Adoção. Destes, 2.860 possuem idade superior a nove”, informa Maria da Penha Oliveira, psicóloga e coordenadora do novo projeto do Grupo Aconchego, intitulado “Entrelaços”.

A psicóloga explica que, para muitos pretendentes, a vontade de passar pela experiência de ter um bebê ou uma criança pequena é um fator de peso para a escolha. Por essa razão, torna-se mais complicado encontrar uma família para idades mais avançadas.

“Preconceitos e discriminações ainda permeiam a adoção de crianças mais velhas ou adolescentes. Acreditam que não seguirão a cultura e os novos hábitos da família. Porém, acreditamos muito que o afeto verdadeiro, a empatia, o senso de responsabilidade e compromisso podem ser transformadores”, pondera.

A profissional também ressalta que, independente da idade, a família é o melhor caminho para o desenvolvimento de uma criança ou adolescente. Sabendo da necessidade de se promover essa conversa com a sociedade, o Grupo Aconchego, entidade civil sem fins lucrativos, que trabalha em prol da convivência familiar, apresenta o tema da adoção – em diferentes faixas etárias – de forma ampla e sensível com os pretendentes habilitados à adoção para desmistificar a problemática de convivência por causa da idade e da história vivida desse sujeito.

“Temos que dar mais visibilidade à causa. Não é falar somente de adoção, mas também informar sobre as famílias em situação de vulnerabilidade. É urgente que haja mais debates acerca desse tema em perspectiva política e de responsabilidade social. Trazer informações de especialistas da infância, da adolescência e de família sobre a possibilidade do vínculo por adoção com crianças maiores ou adolescentes, por exemplo, é uma ótima forma para isso”, reforça Penha.

Vale lembrar que, antes da promulgação da Constituição de 1988, a adoção atendia apenas aos interesses dos adultos que não podiam ter filhos e nesse sentido, as chances dos bebês eram maiores, enquanto os mais velhos, eram apenas considerados “filhos de criação”.

Entretanto, atualmente, há uma mudança significativa nesse perfil e, além disso, um grande número de pretendentes já aceita crianças maiores, negras, com deficiência ou problemas de saúde.

“Se avançamos nesses 30 anos, acreditamos que é possível mudarmos a cultura da adoção no nosso país. Creio que, em breve, mais pessoas estarão se capacitando para serem pais e mães de crianças maiores e de adolescentes, na certeza que o desejo de ter um filho não passa necessariamente pela idade, mas sim pelo desejo de cuidar, amar e construir uma família”, pontua.

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